Na manhã desta terça-feira (24), moradores de Saquarema acionaram equipes de resgate ao avistarem o que parecia ser um corpo boiando na lagoa. Parte dos membros estava fora da água, imóvel. Cena clássica de “isso não está nada bem”.
Entram em ação o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro e agentes do grupamento Salvamar. Procedimento padrão: verificar sinais vitais, garantir segurança, evitar que uma possível vítima de afogamento evolua para algo pior.
Plot twist digno de cinema: o “corpo” estava vivo. E dormindo.
Segundo os socorristas, havia sinais de ingestão de bebida alcoólica. Com a aproximação da equipe, o homem simplesmente se levantou — sem necessidade de atendimento médico. Fim do drama. Início das risadas nervosas.
Agora, um pequeno parêntese fisiológico, porque ciência sempre aparece na festa: álcool é um depressor do sistema nervoso central. Ele reduz reflexos, prejudica coordenação motora e altera percepção de risco. Dormir dentro d’água, mesmo rasa, é uma combinação perigosamente imprudente. O risco de aspiração de água ou perda de consciência mais profunda não é teórico — é bem real.
A história terminou de forma leve, mas ela escancara algo curioso sobre como nosso cérebro reage a padrões. Corpo imóvel + água = alerta máximo. É um atalho mental (heurística) que salva vidas na maioria das vezes. Nesse caso, salvou apenas a dignidade da tranquilidade pública.
Entre o trágico e o cômico existe uma linha fina — e às vezes ela está boiando numa lagoa, tirando um cochilo.












