Uma votação aparentemente protocolar da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) acabou produzindo um dos movimentos políticos mais simbólicos do ano no estado. Pela primeira vez em quase 20 anos, o PSOL votou favoravelmente a uma proposta orçamentária encaminhada pelo Poder Executivo, durante a análise da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2027. A informação foi publicada pelo portal Tempo Real RJ, em reportagem assinada pela jornalista Gabriele Maia.
A mudança rompe uma tradição iniciada em 2007, quando o partido passou a atuar de forma contínua na Assembleia com a chegada de Marcelo Freixo. Desde então, a legenda mantinha posição sistematicamente contrária às propostas orçamentárias dos governos estaduais.
O gesto político ocorre em meio ao cenário de transição vivido pelo Palácio Guanabara. Segundo a reportagem, a gestão do governador em exercício Ricardo Couto promoveu nos últimos meses uma ampla reestruturação administrativa, com milhares de exonerações de cargos comissionados herdados do governo anterior, alcançando áreas estratégicas como o Detran-RJ e o Inea.
A líder da bancada do PSOL, deputada estadual Renata Souza, fez questão de ressaltar que o voto favorável não representa adesão política ao governo. Segundo ela, trata-se de uma leitura das atuais condições fiscais do estado e do esforço apresentado pelo Executivo para enfrentar a crise financeira fluminense.
Mais do que a aprovação da LDO, o episódio revela um novo desenho das relações políticas na Alerj. Em um ambiente historicamente marcado por embates entre o PSOL e os governos estaduais, o voto favorável indica que a gravidade da situação fiscal do Rio pode estar produzindo convergências antes improváveis. Ainda que pontual, a decisão mostra que, diante do desafio de equilibrar as contas públicas, antigas fronteiras ideológicas podem se tornar menos rígidas do que costumavam ser.












