Na altura do Lido, na Praia do Forte, uma operação da Prefeitura de Cabo Frio resgatou 15 animais mantidos em condições de maus-tratos. Entre eles, 11 filhotes de cães (um já morto e em decomposição), dois adultos e três calopsitas. Segundo os agentes, havia infestação por pulgas e carrapatos, além de ausência de água e alimento.
Insetos e parasitas não são apenas incômodos. Uma infestação intensa pode levar à anemia — especialmente em filhotes — porque pulgas se alimentam de sangue. Some-se a isso desidratação e subnutrição, e o organismo simplesmente colapsa. Biologia básica, consequência brutal.
Participaram da ação a Guarda Civil Municipal (incluindo a Romu), a Guarda Marítima e Ambiental e a Secretaria de Meio Ambiente. Os responsáveis foram conduzidos à delegacia e autuados em flagrante. A perícia foi acionada.
Os cães resgatados seguiram para o Canil Municipal, onde passarão por avaliação clínica, tratamento veterinário e posterior inclusão em cronograma de castração. Castração, aliás, não é detalhe burocrático; é política pública de controle populacional. Sem ela, ciclos de abandono se repetem como um experimento mal conduzido.
Maus-tratos configuram crime ambiental previsto na Lei 9.605/1998. Desde 2020, a pena para abuso contra cães e gatos foi aumentada, podendo chegar a reclusão de até cinco anos. A lei reconhece algo que a etologia — o estudo científico do comportamento animal — já demonstra há décadas: cães e aves são seres sencientes. Sentem dor, estresse, medo.
Um dado curioso e desconfortável: pesquisas em criminologia indicam correlação entre violência contra animais e violência interpessoal. Não é uma regra matemática, mas é um sinal de alerta comportamental. Onde há desumanização sistemática, geralmente há algo estruturalmente errado.
A superintendência destacou que a ação só ocorreu graças à denúncia. Sistemas de proteção funcionam como redes neurais sociais: precisam de sinais para disparar resposta. Sem denúncia, o sofrimento permanece invisível.
Civilização não se mede pelo tamanho dos prédios, mas pelo modo como tratamos quem depende de nós — inclusive os que não falam nossa língua.











